MIGUEL BULNES CERCAS

LAS PERDICES DEL OLIVAR

 

Opiniões aparecidas na imprensa do setor:

Língua:

ESPANHOL

Encadernação:

Rústica

Laminado brillo

Páginas:

200

Impressão:

Color y B/N

Conteúdo:

Textos, fotografías

e ilustraciones

Medidas:

170x240 mm.

 

“Tal e como já estamos habituados, Miguel Bulnes escreve neste novo livro sobre a nossa apreciada perdiz vermelha, e fá-lo com a mestria e simplicidade que o caraterizam. Enquanto lemos este genuíno canto à perdiz selvagem, redigido em primeira pessoa, iremos acompanhando o autor a atirar perdizes de salto, a educar e mimar os seus “reclamos” e estaremos com ela a olhar através da fresta, em pormenorizados aguardos de perdigão. E fá-lo-emos com o cheiro a molhado dos dias de chuva, a sentir a fria humidade do nevoeiro e enganaremos o vento, entre a sonhar e acordados, ao ritmo de uma palmeira como se alude num dos capítulos dos pássaros de Inverno. Conversaremos com guardas e cabreiros, sentar-nos-emos ao pé do lume com um café entre as mãos e recluir-nos-emos na serra durante o cio da perdiz.


Mas neste livro vamos encontrar muito mais do que isso; sentiremos com intensidade o amor pela terra, o laço entranhável da amizade, o peso da recordação e o companheirismo da caça. E tudo isto numa trama habilmente traçada, que nos prenderá desde as primeiras páginas e que leremos com fruição até chegar ao inesperado fim.”

 

CAZA EXTREMADURA


O inquestionável reinado da perdiz vermelha dentro do panorama venatório da caça menor, pelo menos na nossa pátria, não parece ter tido mérito suficiente para que historicamente a formosa patirroja se tenha convertido na estrela principal, e não secundária, de um nutrido número de textos impressos de caça. Há, com certeza, honrosas, e inclusive monumentais exceções, que puseram a perdiz na cúspide do pódio que por direito lhe pertence, sobre tudo em datas muito recentes. Isso sim, quase sempre desde a ótica de tipologias de caça concretas, onde a modalidade da caça da perdiz com reclamo ganha por muitos pontos. Neste sentido, uma mão cheia de autores tiveram a disposição para tecer um livro, quase sempre único, ao qual incorporaram, com desigual acerto, tanto experiências pessoais como “maneiras de fazer”. No entanto, e deixando à margem o desigual acerto no que se refere à qualidade literária e originalidade dos textos, observa-se em todos eles a enorme paixão com a que foram redigidos, conscientes os seus autores de que estão a escrever sobre um tipo de caça que muitos elevam à categoria de arte.


Com esta breve introdução será fácil adivinhar que o livro que trazemos este mês, de autor estremenho para mais dados,(Miguel Bulnes Cercas – Ibahernando 1957-), tem a ver com a perdiz vermelha. O nome deste conhecido escritor está muito unido ao da galinácea, como autor consumado, que é, de uma série de títulos publicados em anos precedentes, e nos quais a perdiz é protagonista principal. Neles encontra-se o que responde ao sugestivo título de “Las perdices del Olivar”. Nesta obra, a razão de ser sustenta-se numa trama argumental que gravita à volta de um espaço físico, a herdade que suporta a história, um punhado de personagens que brilham à mesma altura e, claro está, as perdizes, algumas com nome próprio e outras, a maioria, sem nome. Não estão ausentes neste livro nem os lances de caça nem as descrições bem construídas nem o esbanjar de empírica sabedoria posta na boca das personagens que empurram o leitor até ao desenlace final. Ainda assim, no meu entender, o que sobressai no livro é um canto a que tudo é possível no difícil mundo da caça, inclusive a recuperação de uma população de perdiz vermelha a partir de uma população quase extinta, capaz de sobreviver aos ditados do que é fácil, cómodo e seguro, e daquilo que chamam o mercado. Ou seja, a luta entre a perdiz e a “perdigalliz”.

Interessante, e de agradável leitura, este livro de quase duzentas páginas, com o qual é possível refletir ou, pelo menos, sonhar acordado.


J.I. Rengifo